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Sigam o coelho negro!

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"- Por que está usando essa fantasia estúpida de coelho? - Por que você usa essa fantasia estúpida de homem?", é um dos diálogos entre um homem inexpicavelmente fantasiado de coelho e joven Donnie Darko em uma das cenas do filme. Este homem vestido como coelho, aliás, semelhantemente ao coelho branco, do clássico Alice no País das Maravilhas, que sempre grita para Alice que está atrasado, está sempre alertando Donnie sobre uma hora fatídica que se aproxima. Enxergo este filme como uma releitura das histórias de super-heróis, como nos mais ótimos Corpo Fechado (Unbreakable, 2000) e Drive (Drive, 2011), questionando como seria se realmente existissem algumas pessoas dotadas de super-poderes, sem que elas se vestissem ou se portassem como os super-heróis tradicionais, ou mesmo se elas sequer se considerassem tal coisa ou se não fossem vistos como tais pelo resto das pessoas. Meras ''pessoas comuns'', que não usam disfarce ou dupla identidade, com poderes que o...

Um olhar equivocado, um filme superestimado

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Esse, ao lado de Olga, Moulin Rouge, Austrália e O Menino do Pijama, é um daqueles filmes que eu não entendo como alguém consegue gostar. Geralmente seus apreciadores argumentam que ''ele tem uma fotagrafia linda'', por exemplo. Afirmação da qual eu discordo veementemente. Não ele não tem uma fotografia linda, nem foda, nem espetacular. Ele tem imagens coloridas de campinas ao por do sol, por exemplo, quando a protagonista está no Limbo, mas a fotografia é apenas mediana. Fotografia, aliás, em cinema, é um pouquinho mais complexo do que apenas um enquadramento bonito ou imagens plasticamente belas. E mesmo que tivesse, o filme se resumiria a isso, com imagens que impressionam certo tipo de espectador (não é o meu caso, felizmente), mas que se revela apenas uma tentativa de mascarar certo vazio, certa carencia de consistencia e substancia. São ''estripulias'' visuais, que tentam compensar o fato de o filme não ter muito a oferecer, semelhante ao que aco...

O Falso Herói

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A cineasta polonesa Agnieszka Holland ficou conhecida internacionalmente por este filme duro e sombrio passado durante a Segunda Guerra Mundial, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Este Colheita Amarga (Bittere Ernte, 1985) aborda a questão do anti-semitismo, da perseguição e do extermínio de judeus pelos nazistas nos territórios controlados por eles na Europa, temas recorrentes em sua filmografia, especialmente nos filmes Filhos da Guerra (Europa, Europa, 1990), indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, e o meu preferido Na Escuridão (W ciemności, 2011), também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O filme, estrelado pelo grande Armin Mueller-Stahl (Coronel Redl, Muito mais que um Crime, Shine) acompanha a crise moral e de identidade pela qual o polones Leon Wolny, que abandonou o sonho de ser padre para cuidar da granja da família após a morte do pai, passa ao tentar esconder uma mulher judia, Rosa Eckart, que conseguiu fugir de um trem que levava prisioneiros dos gu...

Um pijama listrado e roteiro desastrado

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Não entendo como as pessoas possam gostar tanto deste O Menino do Pijama Listrado (The Boy in the Striped Pyjamas, 2008), havendo outro tão superiores em todos os sentidos tratando dos mesmo temas, isto é, holocausto, anti-semitismo e nazismo. Filmes como A Lista de Schindler (Schindler's List, 1993), A Escolha de Sofia (Sophie's Choice, 1982), O Pianista (The Pianist, 2002), de Roman Polanski, O Diário de Anne Frank (The Diary of Anne Frank, 1959), de George Stevens, Filhos da Guerra (Europa, Europa, 1990) e Na Escuridão (W ciemności, 2011), ambos de Agnieszka Holland, Os Falsários (Die Fälscher, 2007), de Stefan Ruzowitzky, ou O Filho de Saul (Saul Fia, 2015), merecem muito mais o apreço e a veneração que este filme medíocre, piegas, maniqueísta e desonesto dirigido por Mark Herman. Este superestimado drama é maniqueísta e desonesto pois pretende, por meio da amizade entre o menino alemão Bruno (Asa Butterfield, sem carisma e inexpressivo, como sempre) e o menino judeu Shmu...

Respeitável público

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Não são raros os filmes se ocupam de retratar o quotidiano de artistas ou os bastidores de diferentes manifestações artísticas, sem necessariamente constituirem-sem em relatos biográficos. É o caso do teatro, descortinado em filmes soberbos como Fatalidade (A Double Life, 1947), A Malvada (All About Eve, 1951) e Birdman (Birdman, 2014); ou do próprio cinema, desvelado em filmes brilhantes como Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1951), Oito e Meio (8½ di Fellini, 1963) ou A Noite Americana (La Nuit Américaine, 1973); ou o circo, retratado em filmes como O Circo (The Circus, 1928), O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth, 1952) e este O Palhaço (2011). Confesso que posterguei o quanto pude o ato de assistir a essa segunda incursão de Selton Mello na direção de um longa-metragem, no intuito de ve-lo sem expectativas, uma vez que foi muito falando quando de seu lançamento. Minha conclusão é que, apesar das qualidades, como a trilha sonora, os figurinos e a fotogra...

Ouro Negro

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Esse é um filme que exige muito de quem o assiste. Exige que se tenha atenção, pois a narrativa acompanha diversos personagens, tramas e subtramas, pois os diálogos são rápidos, ferozes, onde o que está subentendido é muitas vezes mais importante do que é explícito. Mas exige, principalmente, conhecimento, do expectador, a respeito de temas densos e complexos como a geopolítica do Petróleo e a história do Oriente Médio. O filme acompanha 4 personagens ''principais'': o agente da CIA Robert Baer (George Clooney), o analista especialista em recursos energéticos Bryan Woodman (Matt Damon), o advogado Bennett Holiday (Jeffrey Wright), e Wasim Ahmed Khan, imigrante paquistanês em busca de trabalho (Mazhar Munir). Baer é um agente especializado em questões relativas ao Oriente Médio, que trabalhou anos no Irã, ajudando a criar, treinar e financiar grupos de oposição ao regime teocrático nacionalista implantado pelo Aiatolá Khomeini após a Revolução Iraniana de 1979. A...

O anti-Napoleão

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Esse filme é mesmo um obra-prima, e Kubrick o realizou como uma espécie de "prêmio de consolação" a si mesmo por conta dos obstáculos impostos pelos estúdios para a realização de sua obra mais desejada e nunca realizada, que seria um filme sobre o próprio Napoleão Bonaparte. Os "traços" marcantes do grande mestre, ao meu ver, podem ser divididos em dois tipos: 1) estéticos ou plásticos; 2) narrativos. Os traços estéticos próprios de Kubrick são, em primeiro lugar, a preferência por enquadramentos e composições de cena simétricos. Eles estão presentes em Barry Lyndon, mas nesse filme ele empregou um recurso que não costumava usar em seus filmes anteriores, uma vez que ele costuma posicionar a câmera quase sempre num ponto fixo, geralmente um pouco abaixo do nível dos olhos dos atores (os contra-plongées, que seriam sua segunda característica estética constante). Esse recurso, empregado em Barry Lyndon é o uso de zoom-ins e zoom-outs. Uma cena exemplar, nesse sen...